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PROF. PACHECO
 

TRINCHEIRAS

Introdução

As trincheiras eram, por vezes descontínuas, mais ou menos profundas, mais ou menos desfeitas pela chuva e cheias de lama. A maior parte das vezes atravessadas por alertas, bombardeamentos e ataques repentinos, formava-se nelas uma nova espécie de homens: o homem das trincheiras.

Durante esses longos anos, um a dois milhões de soldados de infantaria, incessantemente renovados à medida que se davam as perdas, no meio das quais se viam observadores de artilharia, serventes de «pequenos canhões» e sapadores de engenharia, viveram dentro delas (se acaso pode chamar-se viver ao que foi a sua vida) e aí morreram de todas as tipos de mortes.

Trincheiras

As trincheiras eram valas profundas onde os soldados se protegiam e onde se acabaram por instalar durante uns longos meses.

Contrariamente às previsões, a guerra ameaçava ser longa e assim à «guerra de movimentos» sucedeu a «guerra de posições», a chamada segunda fase da 1ª Guerra Mundial. Deu-se o aparecimento das trincheiras pois o atolamento da guerra obrigava as tropas a enterrarem-se para se protegerem do inimigo, procurando conservar as regiões ocupadas, através de uma extensa rede de valas e abrigos na terra, que lhes dava a sua protecção.

Os alemães foram os primeiros adaptar esta situação e os que as construíram mais confortáveis, espaçosas e requintadas durante a 1ª Guerra Mundial.

O complexo sistema de trincheiras tinha a  Linha da Frente protegida por sacos de terra ou muros de madeira, arame farpado, equipado com armadilhas para impedir o tiro de rajada, no caso de irrupção inimiga.

Em profundidade, fortins obrigavam a artilharia, depois sucediam-se linhas de defesa e fossos de ligação com a retaguarda para receber abastecimentos e reforços, evacuar feridos e tropas exaustas.

Era o universo dos soldados, que a lama e os parasitas, tanto como os tiros do inimigo, tornam dantescos. A vida nas trincheiras era um inferno, quando chovia tornavam-se em verdadeiros campos de lama, em que os soldados rastejavam e se atolavam. Além disso as miseráveis condições de higiene provocavam imensas doenças e a multiplicação de parasitas. Os pobres soldados, por vezes, queimavam toda a roupa para se verem livres dos piolhos que os devoravam.

As ofensivas a partir das trincheiras obedeciam sempre à mesma estratégia: vários dias de bombardeamentos feitos pela artilharia sobre o campo inimigo, seguidos de assalto pela infantaria. A tecnologia era já tão desenvolvida que começaram, também, aparecer gases asfixiantes, sendo as trincheiras totalmente invadidas pelo gás. Os soldados que não colocavam a máscara a tempo, morriam intoxicados ou ficavam gravemente feridos com doenças nos pulmões.

Durante a 1ª Guerra Mundial existiram dois tipos de gás: Cloro e Mustarda. Morreram muitas pessoas durante a sua expansão e aqueles que assistiram, não se esqueceram daquelas trágicas horas de aflição.

Durante a guerra,  havia muita falta de alimentos e por vezes os pobres soldados, viviam com condições miseráveis, tinham uma alimentação muito monótona e desequilibrada. Uma quantidade mínima era determinada para cada um. Nunca tinham comida fresca, os biscoitos eram tão duros que para os partirem tinham que se utilizar pedras. As suas refeições eram à base de comida de cão e chá, pois também não havia água potável. Pelo contrário, os comandantes viviam com uma boa e variada alimentação, pois comiam de tudo e nunca lhes faltava nada. Nunca tiveram os problemas com que os soldados viviam e além disso ainda tinham à sua disposição whisky, soda e café.

Conclusão

Jamais uma guerra terá conduzido milhões de homens a entrar nela, durante tantos anos por tantos quilómetros, carregados de armas. Uma verdadeira vida sobre uma terra cheia de cadáveres, com bombardeamentos constantes. Os soldados conheceram pela primeira vez a guerra moderna.